quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PROCURAR O SENHOR: UMA TAREFA NUNCA ACABADA

Ao falarmos da busca do Senhor, em encontrar o seu rosto sua presença e sua figura, como nós dize nosso Pai João da Cruz e com ele “ Os apaixonados por Deus, já clamaram: “Extingue os meus anseios, porque ninguém os pode desfazer; e vejam-te meus olhos, pois deles és a luz, e para ti somente os quero ter. Mostra tua presença! Mate-me a tua vista e formosura; olha que esta doença de amor jamais se cura, a não ser com a presença e com a figura”.
A respeito do seguimento, existe outra pergunta que, sem dúvida, inquieta a muitos de vocês e a mim : quanto tempo dura a busca do Senhor?

A resposta é fácil, mesmo se nem sempre é aquela que esperamos e desejamos. A busca de Jesus dura toda a vida.        O Senhor, como diz Jeremias, é como um wadi, torrente falsa e de águas intermitentes (cf. Jr 15,18): durante as tempestades, estes profundos vales do deserto se enchem de água; porém, mal termina a chuva, a água desaparece. O Senhor se deixa encontrar por quem o procura, mas nunca se deixa pegar; por isso, quando alguém menos espera, de novo desaparece e a busca deve continuar. É assim sempre, até que “o veremos como ele é” (1Jo 3,2).
Deixar de procurá-lo é perdê-lo. E, quanto mais tempo se deixa de procurá-lo, mais difícil é encontrá-lo.

Pode acontecer que ao esperar o Senhor, como para as virgens da parábola, apareça o sono e vocês adormeçam. Acordá-los-á a voz daquele que os chama para o encontro com o esposo; mas será necessário estar ali quando ele chegar e que suas lâmpadas estejam acesas com o óleo da caridade e a chama do desejo, para que não aconteça que se feche a porta e vocês fiquem fora, ao relento, distantes da festa e da alegria (cf. Mt 25,1ss).

Caros filhos, a vida comunitária Alpha e Ômega, como toda a vida consagrada, não é um "estado" ou uma "meta".  Nossa vida é caminhada e é na caminhada que encontramos o Senhor, que o Senhor nos fala e se encontra conosco, como no caso dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13ss) ou de Paulo (cf. At 9,3).
Ponham-se a caminho, porque é longa a estrada em que o Senhor lhes mostrará seu rosto (cf. Sfc 8) e quando lhes será dado compreender melhor a própria vocação. Como Paulo, esforcemo-nos para chegar à meta, deixando-nos conquistar por Cristo (cf. Fl 3,12).


Em momentos de incerteza como os nossos, às vezes, a coisa mais importante não é encontrar respostas para eventuais perguntas, mas sentir-nos irmãos a caminho, companheiros de viagem, e apresentar-nos aos outros, especialmente aos jovens que chegam em nossa comunidade como os primeiros e  vocês que hoje estão aqui, com a verdade e a humildade de sua busca, com a verdade e a humildade de suas perguntas, com a verdade e a humildade de seus medos e incertezas..
. mas, ao mesmo tempo, com a certeza de que o Senhor caminha com vocês, e guia seus passos, ainda que em certos momentos seus olhos não tenham a luz necessária para reconhecê-lo (cf. Lc 24,16).

Como não tenho tido há muitos anos dentro destes 17 anos desta caminhada de comunidade, para dar respostas a todos vocês que me questionam como será, como é , o que vai ser!
Ponham-se a caminho, Filhos e Irmãos meus, porque em nossa vida, como nos recorda Gregório de Nissa, andamos “de começo a começo, através de inícios que jamais têm fim”.     Ponham-se a caminho, porque nossa identidade de cristãos e de Alpha e Ômega que quer proclamar ;Deus só e nada mais é dinâmica e sempre incompleta. Façam suas as palavras de Inácio de Antioquia: “Embora prisioneiro, não sou discípulo...

Quando meu corpo desaparecer deste mundo é que serei verdadeiro discípulo de Jesus Cristo”.
Ponhamo-nos a caminho, Filhos e Irmãos, seguindo o exemplo de nosso pai Francisco que, “tendo necessariamente de moderar o antigo rigor por causa da enfermidade, dizia: "Comecemos, Irmãos, a servir ao Senhor Deus, porque até agora apenas pouco ou em nada progredimos”.

3ª Conferência do II Capítulo

Pe. Emílio Carlos Mancini

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